O ESCRAVIZADO ADAM WEISSHEIMER

O ESCRAVIZADO ADAM WEISSHEIMER

Algo diferente aconteceu com o pequeno “escravo” de oito anos de idade no ano de 1829 na capital da Província – Porto Alegre.

Registra a história, que na casa do Imigrante Jacob Weissheimer em Lomba Grande (Guary), haviam passado cerca de três anos do rapto e morte de seu filho Adam. (vercrônica – Confronto indígena no Guary que publiquei em 17 de abril). Jacob, na época já possuía o seu moinho em pleno funcionamento. Em frente a seu estabelecimento sempre havia carretas ou cavalos amarrados, eram colonos que traziam a mandioca e seu milho para moer. Era um importante e grande incremento na atividade comercial da região. Porém, o que mais Jacob se ressentia era a falta de um auxiliar, alguém que pudesse auxilia-lo no desempenho das tarefas diárias: o moinho, as criações e as plantações.

A ideia de comprar um escravo não podia ser totalmente descartada. Os colonos alemães eram impedidos de possuir escravos sob qualquer pretexto.

Jacob partiu para uma ação inusitada. Se dirigiu até a capital com 40 sacos de farinha(resultado de sua economia) e transformou em dinheiro, aproximadamente 100.000 (cem mil reis), onde adquiriu em leilão um escravo ainda jovem. Ao retornar para Lomba Grande, a família decidiu que o escravo passaria a chamar-se de “ADAM” em homenagem ao filho morto; juntamente com a preocupação de aclimatar aos poucos o recém-chegado ao novo ambiente.

O negro Adam foi integrado ao seio familiar, o tratamento que recebia era de um verdadeiro filho. Com o passar dos anos aprendeu o idioma alemão, tornou-se um verdadeiro braço direito de Jacob. A todos, atendia com respeito. Por isso, Adam era tido e reconhecido como “o melhor peão em atividade na Colônia alemã de São Leopoldo”.

Quis a Providência que “Adam” fosse parar numa família de sentimentos humanos, onde não deixavam medrar a discriminação racial. Para ele, o destino havia reservado melhor sorte. Ele faleceu no dia 09 de maio de 1890, quando deveria ter em torno de 70 anos de idade, como um membro da família Weissheimer, que já tinham deixado a sua Lomba Grande para trás. (Fonte – Egidio Weissheimer História de uma família renana de Westhofen à São Leopoldo) Autor – Aurélio Strack.

Para caracterizar a chegada dos pioneiros imigrantes alemães e tomar contato com sua nova propriedade na mata virgem, hoje estamos publicando o desenho do artista e arquiteto José Lutzenberger, intitulado O Colono no Rio Grande do Sul (1950).

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