O WALLAHAY NA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DIEHL

O WALLAHAY NA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DIEHL

As entrevistas representam um valioso testemunho das histórias e trajetórias de vida de uma pessoa, ainda mais quando ela vem acompanhada de cadernos que registram narrativas dos fatos. Foi o que aconteceu comigo em setembro de 2024, quando fui entrevistar o Senhor Otomar Alfredo Diehl, na época com 95 anos de idade e com relevantes serviços prestados a comunidade lombagrandense.

Autor de três cadernos escritos de próprio punho que ele me alcançou. São preciosidades que testemunham o legado de geração em geração da família DIEHL, que está profundamente ligada a formação histórica e social de Lomba Grande e ajudaram a construir a sua identidade.

Do primeiro caderno saiu este relato: Por volta de 1780, conta meus antepassados, existia uma trilha jesuítica e que muitos a denominaram de caminho dos escravos. Ela se iniciava na Aldeia dos Anjos em Gravataí, passava em frente à casa da feitoria, bifurcando a direita e vinha costeando o banhado até Lomba Grande e, seguia para Santa Cristina do Pinhal.

Continua: Abrindo picada no mato, Paul Diehl fez sua primeira casa. Era de pau a pique, perto da trilha que em partes se transformou na estrada do “WALLAHAY”, não longe, junto a trilha, talvez do mais antigo cemitério de Lomba Grande, quiçá fundado pelos jesuítas, mais tarde abandonado. Sendo propriedade de Aloísio Strack, cujo filho Willy disse que arando a terra neste local, o arado por vezes teria revirado pedras com inscrições (provavelmente lápides).  A Sociedade Atiradores de Hamburgo Velho (proprietária da área), fez um galpão de eventos; na terraplanagem, as pedras foram empurradas para o banhado. A zona à beira do banhado grande (Rio dos Sinos) era conhecido como WALLAHAY, cuja estrada era ligada a que vinha do ROSENTHAL ao Porto das Tranqueiras, hoje abandonada. Foi a beira desta estrada, que passando por área adquirida posteriormente (hoje se encontra a Sociedade Gaúcha de Lomba Grande),que Paul construiu a sua moradia definitiva com a data acima da porta – 1865 – na época da guerra do Paraguaia. Construída com lajes de arenito, paredes de 40 cm de grossura, telhas de barro tipo portuguesa, com uma escadaria na porta da frente que fazia inveja a muita igreja, pela altura, largura e estilo. Mais tarde passou para mãos estranhas desleixada e demolida.

Paul DIEHL imigrante que chegou em 15 de janeiro de 1826 com 36 anos, católico com sua esposa Margaretha FREY e seus 6 filhos, faleceu em 1866. O mais novo dos filhos, que naquela época tinha dois anos de idade, também tinha o nome do pai Paul e casou-se em 1850 com Catharina BLUM, pais de pelo menos 20 filhos, sendo dois adotivos. No recenseamento dos moradores da colônia de São Leopoldo feito em 1847-1849, aparece a família de Paul DIEHL (pai), ele agora com 58 anos de ofício- carniceiro, residindo no Passo dos Corvos e este seu filho Paul consta com 24 anos de idade. – Autor Aurélio Strack.

Nota fiscal original datada de julho de 1918 do Armazém de Secos & Molhados de Emilio Nabinger (na Lomba Grande), de produtos vendido a Jorge Beijamin DIEHL (avô de Otomar).

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