OS ROTERMUND NA HISTÓRIA DE LOMBA GRANDE – PARTE II
OS ROTERMUND NA HISTÓRIA DE LOMBA GRANDE – PARTE II
Era o início do ano de 1875, quando a Comunidade evangélica luterana de Lomba Grandese preparava para receber seu novo pastor – Wilhelm (Guilherme aportuguesado) Rotermund. Deste período até o final de 1915, fora de qualquer dúvida, foi uma das grandes personalidades que marcou época na imigração alemã deixando marcas profundas, tornando o nome “Rotermund” referência no estudo da história do protestantismo, da produção de material didático, da pedagogia e do jornalismo.
A colônia de São Leopoldo/Lomba Grande com a qual Wilhelm se deparou era distantes 12 quilômetros uma da outra. Lomba Grande era a menina dos olhos do pastor. Considerava-a bem mais religiosa. Para ele, a comunidade estava sempre em primeiro lugar, especialmente a sua Lomba Grande, a ponto de Martin Dreher escrever em sua obra: No Rio Grande do Sul, o jovem teólogo encontrou cura para a tuberculose, mas as longas e constantes viagens no lombo do cavalo entre São Leopoldo e Lomba Grande (até três vezes por semana) fizeram surgir o câncer em seu rosto. [...] Vivia com o relógio. Por isso, seus filhos e colaboradores sofreram. Diz-se que em Lomba Grande, os colonos acertavam seus relógios pelo pastor, quando este apontava na estrada.
No final da década de 1880, a família assumiu a Livraria Evangélica, oriunda do “depósito de livros” que recebeu de seu antecessor, o Pastor H. Borchard que até então atendia a Lomba Grande. Ela passou a ser designada de Livraria de W. Rotermund. A partir de então o Pastor passou a ser livreiro, editor, impressor e escritor, com um novo envolvimento que tinha uma profunda função cultural, educacional e religiosa.
Em 1879 Wilhelm escreve em carta a seu cunhado: “Amanhã chego mais tarde em casa, pois devo concluir o preparo de pequeno livro de contas com o professor de Lomba Grande para impressão”. Rotermund teve princípios pedagógicos muito claros ao preparar os seus livros. A Cartilha (Fibel) tinha que mostrar o gaúcho, o tamanduá, o milho. O livro de contas tinha que operar com o mil-réis, carroças, saco de feijão. Elas deveriam levar as crianças da época a amar sua querência. Interessante é que a Cartilha foi feita a partir de cenas do cotidiano das crianças do Brasil.
Nestes 40 anos que transcorreram de suas atividades, inúmeras ações e legados tem a assinatura dele. Portanto, é muito importante fixar aqui a memória de Rotermund e contar um pouco de sua trajetória, para que as futuras gerações saibam e conheçam quem ajudou a construir a história de nossa localidade. Autor – Aurélio Strack.
Registro fotográfico de 1930 tirada dos fundos da Casa Pastoral (atual Casa da Lomba em reforma), com vista para a Igreja Evangélica de Lomba Grande.
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