OS ROTERMUND NA HISTÓRIA DE LOMBA GRANDE – I
OS ROTERMUND NA HISTÓRIA DE LOMBA GRANDE – I
A primeira parte desta crônica vai se deter nas histórias de Fritz Rotermund e sua infância em Lomba Grande. Aliás, Friedrich Wilhelm Rotermund, nascido em 28 de setembro de 1885, o sétimo filho do famoso casal - Pastor Wilhelm Rotermund e sua esposa Marie Brabandt. Idealista, que se destacou na manutenção da empresa familiar, criada por seus pais em 1877.
Na sua excelente autobiografia familiar (traduzida do alemão por Sr. Dankwart, o qual agradeço o conteúdo), raramente conhecida, Fritz aborda fatos interessantes vividos em Lomba Grande, o que ele chama de lembranças afetivas, das quais extraí relatos que merecem ser divulgados:
- A família recebeu um pedaço de terra na Lomba Grande. Inicialmente, digo que estou surpreso em saber que essa terra foi escriturada em 1892, portanto quando eu tinha 7 anos de idade. Mesmo assim, lembro que no aniversário da mãe, nosso pai lhe deu um balaio cheio de fechaduras, trancas e dobradiças para a casa, o que significa que ela já estava em construção.
- Diziam que no terreno tinha havido uma cancha reta de corrida de cavalos. Ele foi doado a nosso pai por Jorge Müller (pai do Walter Müller), sob a condição de que ali fosse erigida uma casa. Nosso pai cavalgava até a moradia dos Müller quando vinha a Lomba Grande a serviço. Os Müller eram gente honrada e donos da maior parte das terras da redondeza.
- É sabido que a figueira foi plantada quando meu pai completou 50 anos de idade (1893) e que o carvalho quando nossa mãe completou essa idade (1899). Se bem me lembro, o aniversário do pai foi festejado com grande número de pessoas (também com os funcionários da firma?). A família ali passou muitos verões.
- Nossa mãe dedicava-se intensamente ao jardim, o que até hoje algumas árvores dão testemunho. De maneira especial, o canteiro em forma de chifre deve ser mantido em sua memória, pois ela trazia conchas de Tramandaí que lá coletava. Devemos notar que com certa frequência ela ia a essa praia com a família de Gottlieb Lang. Eles viajavam em grandes carretas puxadas por bois. Naquela época a viagem levava 3 a 4 dias o que implicava em pernoites dentro ou embaixo da carreta.
- De qualquer forma, vivenciamos belos momentos na Lomba Grande quando crianças e também com minha família. Como em todas as coisas que herdei de meus pais, Lomba Grande foi e continua sendo “sagrado”. E só por isso, ou seja, pela grata memória a meus pais, sempre me empenho para que permaneça em nossa família. Lomba Grande pertence à história da família e a sua tradição. Fritz Rotermund – janeiro de 1960.
Na próxima semana, continua a segunda parte, onde descrevo os grandes legados do Pastor e sua preferência por Lomba Grande. Autor – Aurélio Strack
Registro fotográfico da casa na Lomba Grande, que se localizava na Estrada Rotermund, 105, praticamente no início de quem vai ao Quilombo. No lado esquerdo temos as folhas da magnólia plantada por Marie Rotermund, que até hoje está no mesmo local. Acervo de Dankwart Bernsmüller e Renata Rotermund.
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